Pois logo a mim, tão cheia de garras e
sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre
explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo
da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para
arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve
essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te
doe demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável, pois
a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para
ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e
olharam intimidadas as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro
para amar e dormir.
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